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Memórias da Covilhã

Memórias da Covilhã

Freguesias da Covilhã evolução da população entre 1864 / 2011

07.06.20, Memórias

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Freguesias do concelho da Covilhã antes da reforma administrativa de 201

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SUMÁRIO:

Número da habitantes residentes nas freguesias de Aldeia de São Francisco de Assis, Aldeia do Souto, Barco, Boidobra, Canhoso, Cantar-Galo, Casegas, Conceição, Cortes do Meio, Coutada, Dominguizo, Erada, Ferro, Orjais, Ourondo, Paul, Peraboa,  Peso, São Jorge da Beira, São Martinho, São Pedro, Santa Maria, Sarzedo, Sobral de São Miguel, Teixoso, Tortosendo, Unhais da Serra, Vale Formoso, Vales do Rio, Verdelhos e Vila do Carvalho, do concelho da Covilhã, de acordo com os censos realizados entre 1864 e 2011.

NOTAS:

  • Nos anos de 1864 a 1890 a freguesia de Aldeia de S. Francisco de Assis estava anexada à freguesia de Barroca, concelho do Fundão. Foi anexada à freguesia de Ourondo, do concelho da Covilhã, por decreto de 07/09/1895, aparecendo nestas condições no censo de 1900. Foi desanexada por decreto de 19/07/1901, passando a constituir freguesia independente com a designação de Bodelhão. Pelo decreto nº 15,868, de 15/08/1928, passou a denominar-se Aldeia de S. Francisco de Assis.
  • Por decreto de 04/12/1872 a povoação de Coutada, da freguesia de Peso, passou a fazer parte da da freguesia de Barco. Com lugares desta freguesia foi criada pela Lei nº 61/84, de 31 de Dezembro, a freguesia de Coutada.
  • A freguesia de Canhoso foi criada pela Lei nº 24/97, de 12 de Julho, com lugares desanexados das freguesias de Vila do Carvalho, Cantar-Galo, Conceição e Teixoso.
  • A freguesia de Cantar-Galo foi criada pela Lei nº 79/89, de 29 de Agosto, com lugares desanexados das  freguesias de Vila do Carvalho e Conceição. Com lugares desta freguesia foi criada, pela Lei n.o 24/97, de 12 de Julho, a freguesia de Canhoso.
  • A freguesia de Coutada foi criada pela Lei nº 61/84, de 31 de Dezembro, com lugares desanexados da freguesia de Barco.
  • Com lugares da freguesia de Covilhã (Conceição) foi criada, pela Lei nº 24/97, de 12 de Julho, a freguesia de Canhoso.
  • Nos anos de 1911 e 1920 a freguesia de Dominguizo estava anexada à freguesia de Tortosendo. Pelo decreto nº 12.541, de 22/10/1926, esta freguesia foi desanexada, ficando a constituir uma freguesia autónoma.
  • No ano de 1900 a freguesia de Ourondo tinha anexada a freguesia de Bodelhão (decreto de 07/09/1895). Por decreto de 19/07/1901 foi desanexada desta freguesia a de Bodelhão, que passou a ser freguesia autónoma
  • Com lugares da freguesia de Peso foi criada pelo Decreto-Lei nº 537/76, de 09 de Julho, a freguesia de Vales do Rio.
  • Pelo decreto nº 43,263, de 21/10/1960, a freguesia de Cebola passou a denominar-se S. Jorge da Beira
  • Com lugares da freguesia de Teixoso foi criada, pela Lei n.o 24/97, de 12 de Julho, a freguesia de Canhoso.
  • Nos anos de 1911 e 1920 a freguesia de Tortozendo tinha anexada a freguesia de Dominguizo. Pelo decreto nº 12.541, de 22/10/1926, esta freguesia foi desanexada, ficando a constituir uma freguesia autónoma.
  • Pelo decreto nº 37,504, de 06/08/1949, a freguesia de Aldeia do Mato passou a denominar-se Vale Formoso
  • A freguesia de Vales do Rio foi criada pelo Decreto-Lei nº 537/76, de 09 de Julho, com lugares desanexados da freguesia do Peso.
  • Nos censos até 1991 a freguesia de Vila do Carvalho aparece designada por Aldeia do Carvalho. Com lugares desta freguesia foi criada, pela Lei nº 24/97, de 12 de Julho, a freguesia de Canhoso

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O Pelourinho das Pessoas e as Pessoas do Pelourinho

01.06.20, Memórias

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O Pelourinho das Pessoas

e as Pessoas do Pelourinho

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Do Leal, gente simples e trabalhadora que nos trazia as notícias da capital, “atão a que horas chega o comboio”- era a pergunta que ele mais ouvia,

do Mestre Abílio que com sua simpatia nos enchia de histórias apimentadas contadas com um espírito de humor inigualável, histórias essas, algumas verídicas e outras que ele criava e que nos divertiam muito,

do Cassapo sempre com novos e divertidos factos pra contar,

do senhor Manuel Gravateiro sempre sorrindo a oferecer as suas gravatas que carregava num grande cabide a tiracolo,

da menina Mariazinha da Tabacaria que nos vendia o macito de SG Filtro que tenteávamos a semana inteira e onde fazíamos o Totobola que nos fazia sonhar,

do Valério que nos vendia o fartabrutos ou a barquinha de ananás dependendo da fome que tínhamos ou do volume de moedas no bolso,

do senhor Manel David, onde a mãe nos mandava a comprar um metro de nastro e uma dúzia de botões,

do Teixeirinha que com o seu inseparável cigarro no canto da boca, palmilhava aquelas arcadas dezenas ou até centenas de vezes por noite,

do senhor Chico, do senhor Celestino, do Jeremias,

do senhor Fonseca, do senhor Alves, que sempre simpáticos nos serviam o carioca de limão, a bica ou o fino dependendo da idade e da estação do ano,

do chef Ribas de quem dependíamos para degustarmos aos domingos, o inesquecível arroz à valenciana,

do polícia sinaleiro que com gestos elegantes e sentindo-se todo importante, organizava o trânsito que não era muito, mas era o que se podia arranjar,

dos jovens que desfilavam os seus possantes porsches e coopers e que nos incutiam a ambição de um dia termos também um igual,

dos mirones encostados às grades da Lisbonense,

do senhor Joaquim que aos domingos nos deixava os sapatos reluzentes,

do Falcãozito a puxar-nos as blusas e a fugir pra baixo das arcadas,

do senhor Leandro e do senhor Amândio da Drogaria Pedroso, que mesmo aos domingos nos atendiam prontamente por um postiguinho,

do senhor Romano que fornecia a cidade da melhor alheira que havia, do amigo Dias, que no

Montalto levava os dias a devorar livros e mais livros junto com o Arraiano que tinha o sonho de revolucionar a matemática e passava o tempo a resolver intermináveis teoremas,

do senhor Cipriano dos Correios que a todos ajudava com presteza e simpatia,

do senhor Bonina grande covilhanense ,

do senhor Artur sempre dedicado ao seu Montalto,

do turista que chegava da serra com o carro cheio de neve,

do senhor Ribeiro dos tabacos,

do Zé Hermínio que expunha na montra da Casa Leão os skis que eram o nosso sonho de consumo, das meninas que chegavam de excursão de outras cidades e nos punham o coração a bater mais forte,

do meu pai e dos seus bons e velhos amigos e suas intermináveis conversas, das minhas inquietantes esperas para ir ao Santos Pinto ver o meu Sporting da Covilhã e meus ídolos, do Humberto das cautelas, vendedor de sonhos,

do Samarra, do Cinco Réis, e de nós que ali ficávamos horas e horas à conversa...o característico “vá atão” era dito dezenas de vezes, antes de arredarmos o pé pra casa, pois a cada “vá atão” sempre vinha mais uma história...

E pronto...essas eram algumas das pessoas que faziam do Pelourinho uma praça cheia de vida, de diálogos. Era assim o Pelourinho de antigamente, feito de gente...gente boa...e é desse que guardo grandes recordações na memória...

As arcadas da Câmara,

o Montalto e sua esplanada de guarda-sóis coloridos,

o Teatro-Cine, os Correios,

a Tabacaria, a Lisbonense,

a Ideal da Beira, a Bijou,

o Montiel, a Drogaria Pedroso,

a Mercearia do Romano,

o Solneve e a Igreja da Misericórdia eram só o cenário do palco onde se encenava a grande peça do quotidiano...e onde os atores éramos todos nós que cada um com seu papel, tão bem representávamos para lhe dar a vida que ele tanto merecia...

(Texto de Paulo Pimentel)

11 de Maio de 2018